Um consumo consciente …para poucos…

24 08 2015

Voltando a escrever sobre consumo porque ando estudando mais e mais o assunto … ando trabalhando com o assunto …ando  atenta ao assunto e por isso mesmo leio muita coisa sobre o ato de levar as coisas para casa .

O que me chamou atenção nos últimos dias foi a postagem que li por aí falando que a nova tendência ( aliás, agora tudo é a nova tendência e é isso que parece ser um dos novos objetos de desejo …o consumo da novidade comportamental …todos querem saber ou alguns querem muito dizer qual é a boa nova em termos de atitude ) Mas o fato é que li que a classe média alta e a classe alta estão pensando em um consumo mais justo e que justeza para esse povo não tem relação com o preço . O pessoal mais abonado prefere pagar mais caro por produtos que reconheça a procedência e que considere não agressivo ao meio ambiente e a sociedade . Caramba como é que é ? a qualidade é privilégio ? segundo o desdobramento da “matéria” ricos ou mais ou menos ricos optam por pagar mais caro e com isso tem acesso a orgânicos , bloquinhos de papel reciclado , roupas de linho , algodão e fibras naturais e brinquedos de madeira certificada . Os moveis tb entram na pauta e são executados em oficinas e ateliês conhecidos por produzirem poucas peças com material sempre sustentável . É inevitável o susto e o choque . Como sou herdeira da incansável angústia dos cientistas sociais não posso deixar passar esse assunto como se esse tipo de consumo tão consciente não representasse um elemento de distinção social – conceito  desenvolvido pelo sociólogo Pierre Bordieu.  Segundo ele , a distinção  cria um espaço de diferenciação na sociedade mas ao contrário de ser enxergada na diversidade a distinção faz com que a diferença assuma ares de elitização e estratifique a sociedade para além das diferenças econômicas . Um comportamento super admirável é também mais descolado , mais antenado mas para ser mais maneiro e mais bacana você paga mais caro  . Ao que parece este consumo consciente une o fator econômico ao capital cultural acumulado – conceito também desenvolvido pelo mestre Bordieu – que explicita a formação de opinião como um fator que segrega a sociedade e ainda deixa claro quais são os hábitos que são a tal da ” nova tendência “, que são estilosos e e bom tom . Segundo Bordieu o capital cultural acumulado faz com que nem sempre se necessite do capital financeiro para estar no topo . Bom gosto, estilo e valores da mesma ordem parece que podem ser obtidos com um grau maior de domínio de informação que pode vir através de viagens , estudos , herança familiar a além é claro, do famoso net meeting. Mas o caso do consumo consciente me desperta certa atenção pois de fato é um assunto que toma conta das elites projetando-as ao lugar de bom mocismo que me é sempre muito curioso em tempos de posse . É importante que pensemos e relativizemos estas práticas , observando não somente seu aspecto de boa ação mas em seu lugar sua face de lugar privilegiado . A melhor comida vai para quem tem mais para pagar por ela ? é isso mesmo que li na semana passada ?

consumo_cons15102012141016no_lixo_brasilBem , aí vem um desdobramento … as atitudes “sustentáveis” a despeito de seu valor positivo também não são uma prática da distinção com relação a outrem ?





Falta de informação – falar mal do consumo sem saber do que se está falando

26 03 2011

Pensar o consumo e as estratégias que fazem da moda o que é faz parte de meu exercício profissional. Nas sextas-feiras inevitavelmente encaro essas questões nas 3 disciplinas que ministro na PUC RIO. Hoje conversando com meus alunos discutimos pontos interessantes sobre a necessidade do novo e da utilização dos objetos para compor a identidade do indivíduo contemporâneo. Portanto a interrogaçãode hoje foi: aonde quer chegar uma pessoa que diz não ligar para a moda e que faz questão de demostrar isso nas suas roupas.Tanto trabalho para compor um look “eu não tô nem aí” , tanto esforço para ficar com cara de quem não liga para as estruturas de consumo e que só usa aquilo que foi doado pelo Exército do Socorro dos desastres visuais??!!!! Andei passando um mês precisamente em contato com gente assim: indivíduos que fazem questão de dizer que a moda não faz parte de suas vidas. Uns mais radicais excluem a moda outros diziam gostar de frecurinhas mas não cedem ao preço das roupas preferindo comprar celulares, câmeras e toda sorte de objetos que … obviamente para que entende o que a moda representa atualmente…estão sujeitos a linguagem de moda.

Em todos esses encontros deste último mês ficava clara a preocupação destas pessoas em construir uma apresentação visual que deixasse claro para outrem que sua relação com o mundo era a de negação a moda , na verdade as tendências de moda ou modismos – encarados por todos eles sem distinção o que não é pecado já que quem deve saber a diferença entre essas coisas aqui sou eu , ligada profissionalmente no assunto. Mas retornando a imagem dessas pessoas – todas invarialmente tinham na aparência itens necessários para dizer ao mundo eu não ligo para a moda.

E como eu represento quem liga para a moda para estas pessoas , o que de fato é verdade ora bolas, fui alvo de todo o tipo de comentário.Já que parecço portar exatamente aquilo que é fonte de negação para estes indivíduos . Achei bastante frutífero esses encontros com esses tipos pois a constante observação dos mesmos sobre minha pessoa ia na direção que minha apar~encia era artificial , construída e a deles não – esta era meramente funcional ou formada a partir do acaso …. alguns relataram que até gostam de uma bolsa ou relógio mas se recusam a pagar por isso….

O discurso que ouvi foi bastante intrigante pois o tempo inteiro fui expectadora de pessoas que pareciam estar brigando ou minimamente falando em praça pública sobre estas questões quando na verdade ninguém estava perguntando nada sobre esse assunto exatamente mas no momento em que o tema aparência e moda surgiam os ânimos se exaltavam … curioso ..muito curioso…

A maior parte dessas pessoas me pareceu bastante reacionária, embora a maioria falasse de politica e de engajamento social todos demosntraram ser  absolutamente desinformados sobre processos históricos e pareciam entender os acontecimentos de forma imediatista. A percepção das estruturas de transmissão de informaçãonestes olhares  ainda parece estar situada nos modelos de imaginar o poder situado em algum lugar no alto…rsrsrs os discursos eram assim : eles querem que eu use as coisas da moda , eles querem me vender essas idéias, eles querem me passar uma opinião para que eu compre o que eles querem vender….enfim só faltei ouvir que a solução para o Brasil era o fim da Rede Globo mas escutei falar mal da Revista Veja …..kakakakaka

Aí me lembrei de um amigo que dizia … queridos por mais que vocês estejam no escuro … não falem besteira … LEVEM UMA LANTERNA!!!





Liquidando o bom senso

12 02 2011

As pessoas e, francamente, acho que especialmente as mulheres são sujeitas a perder o bom senso quando enxergam a palavra LIQUIDAÇÃO ou similar em uma vitrine.Hoje passeando por Ipanema confesso que resisti ao máximo e consegui sair impune e imune ao desconcertante  discurso do preço reduzido, do está tão barato , do era isso e agora é só isso e o principal consegui voltar para casa sem nada daquilo que não precisava e mais :nem havia gostado tanto assim.

Hoje experimentei diversas sapatilhas – apesar de preços camaradas nada me mobilizou muito …e como eu mudei . Qualquer coisinha mais diferentinha eu já jogava pra dentro acumulando uma estante de Imelda sem ter ( no caso dela felizmente) cacife para isso. Fui a uma loja que nada tem em comum comigo – vi algumas poucas coisas que sobraram na minha numeração e quase levei uma sapatilha numa cor que não me é tão familiar e com um bico fino que nem sei se consigo usar.

Pensando” no levo ou não levo” me lembrei então que tenho uma sapatilha caretinha como aquela guardadinha – ainda nem usei. E além dela outra de gliter usada somente duas vezes  e mais … dentro em breve a coleção nova da Melissa entra nas lojas e essas sim eu não deixo de comprar e usar . Então me responda porque vou comprar algo de 60, 70, 80, 90 Reais se não é isso que gosto ou preciso muito ?se esse preço nem sempre é tão especial assim?

Ah … nessa onda de consciência e poupança acabei fazendo besteira também …deixei de comprar uma calça de jeans MARAVILHOSA por um preço bacana… snif





Desconfiança Fashion

25 01 2011

Ao falar no post anterior sobre a “canseira fashion” ou seja aquele cansativo percurso no armário cheio de peças e vazio do que usamos , recebi um monte de comentários verbais e não escritos . (Engraçado como esse BLOG gera comentários entre os amigos mas pouca gente deixa seu registro por lá , talvez porque a conversa seja sempre mais demorada ..). Falei do assunto junto as minhas novas metas porque de fato andei ouvindo um monte de gente comentando sobre isso ao mesmo tempo . Todo mundo parece inclusive ter um depoimento a respeito. Consumir parece ser tão imperativo que muitas vezes compramos por comprar e quando nos damos conta ( literalmente a conta um dia chega) estamos lotados de coisas que nem sabemos como foram adquiridas. A não ser em casos de bolsos muito afortunados, na maioria das vezes essas compras resultam em gastos sentidos e jamais compensados pois, o uso das peças que as fariam valer fica anulado com a condição de entulho, tralha esquecida ou maldita no fundo do closet.

Em tempos de lançamento ouvi muita gente falando a respeito das tendências de inverno num tom obrigatório ( muita gente escreve sobre moda assim também). O que você tem que ter, deve usar sem titubear, tem que comprar com urgência, ou ainda o cúmulo: se não possuir um vai ficar de fora da estação…da sociedade. Se não consumir vira um pária, um estrangeiro sem direito a identidade.

Calma lá meus amigos a moda existe ( e eu vivo dela) mas nada mais falso do que a idéia de que ter estilo ou estar na moda ( se é que isso ainda existe , deus que me perdôe a heresia fashion) é seguir os lançamentos como um bobão que acredita em tudo o que lançam.

Meu conselho é : desconfie !Desconfie daquilo que dizem que todo mundo vai usar, desconfie do que fica bem em qualquer um e mais do que tudo desconfie e saia correndo daquilo que é impossível viver sem. Definitivamente não dá é para viver sendo alguém que você não é ! Assim se você já sabe que seu pescoço é curtinho e acha que fica um traste com pelos em volta dele – deixe de lado essa gente que quer que você se pareça com um urso canadense ou com um Chow Chow ( vai ele é lindo como cachorro e não como gente de gola!) E mais, quem é que vai investir num look seventies completo . Gente isso é coisa de passarela mas, contudo e todavia já tem um povo saindo com o figurino do Hair e… dizendo que é a última tendência. Ou seja, se você tá afim de ir para rua vestido de princesa da Disney eu super aprovo ( bem, em termos ..rs) se essa decisão é sua, mesmo radicalizando no exemplo, o que você veste está falando daquilo que você é ou minimamente do que tem vontade de ser naquele momento. Por isso continuo sendo partidária da Desconfiança Fashion. Não existe nada mais estiloso do que isso. Compre com atenção, com um pé atrás e os ombros erguidos, você sabe o que está fazendo. Ninguém sabe melhor o que está na moda do que você mesmo! Desse jeito você consome o que vai usar e não o que alguém disse que iria ser usado, evita um armário entupido, poupa dinehiro e de quebra fica parecido com você mesmo é não com o belo aí na foto!





Holiday Out

24 01 2011

Pois é as férias estão acabando e eu estou traçando novas metas. Vou ficar sozinha neste mundão de meu Deus cuidando do meu filhote. Apesar de ser a tal mulher moderna ( ou seria pós moderna, contemporânea ???- bem , vou deixar de lado  este debate de nomenclarura e conceito que os colegas historiadores adoram)tô morrendo de medo e chateação de ficar sem papai de filhote por perto. Mas by the way em tempos de solidão e de volta as aulas entramos também em recessionismo fashion severo!! A volta às aulas vale para mim e para meu pequeno. Apesar das despesas de material escolar não serem ainda gigantes no caso dele, esse é um momento em que tudo se ajeita e quem vive de dar aula sabe como é. Assim, vamos usar o jargão é combinar: o final de ano já foi um saldo super positivo de compras . Conforme relatei procurei me manter o mais sóbria possível. Fiz boas aquisições mas me aborreci por gastar um pouco com acessórios . Mas tudo será usado na tal volta ao trabalho e as aulas. Na minha vida de consultora de pequena e médias empresas cabe também dizer que o consumo repensado está na pauta do que organiza as novas propostas de gestão . Isto quer dizer que quando desenvolvemos produtos pensamos em maneiras de adequá-lo a um consumidor que por mais impulsivo que seja, relaciona-se com as compras de um jeito bem diferente do que no passado.

Vamos então as novas metas : o shopping está barrado até meu aniversário ! isto significa que até março estamos de portas fechadas para o consumo. As liquidações felizmente não me foram tentadoras porque não gosto de roupa de verão então só consumo por obrigação e ainda reclamo do gasto de montão. Foram alguns vestidos que serão usados a exaustão para enfrentar o calor de 40º e a sensação térmica de panela de pressão!!!E considerando que março não está nem tão longe assim é bom lembrar de não surtar quando o aniversário chegar junto das coleções de inverno que vão estar bombando nas prateleiras.

A causa é nobre: além de fazer o porquinho engordar para pagar as contas sem frio na barriga, temos viagens à vista( ou a prazo) e muitas cositas em planejamento. Então vale a pena investir na secura das sacolas!!!

Nada vem me causando mais espanto quanto a quantidade de coisas que são compradas e nunca usadas . Cada vez mais gente me relata esse fato. São coisas compradas para ocasiões que nunca aparecem, saltos altos desconfortáveis, aparelhos eletrônicos que não cabem no dia a dia do comprador e ainda saias curtas demais, botas longas ao extremo, peças de estação que nada tem em comum com o dono…ufa que canseira!!!!





O consumo do outro

18 01 2011

Não sei exatamente o que os 10 mandamentos falam sobre isso mas acredito piamente que não traz nenhum bem espiritual as pessoas consumirem umas as outras . Digo isso me explicando : acredito também piamente ( pois sou uma pessoa dessas bem brasileiras que acredita em tudo ou quase) que existe gente que não sabe fazer outra coisa senão consumir o que os outros fazem . Vivem essas gentes de copiar, de replicar , de fazer a mesma coisa que os que estão do lado fazem. Por vezes são pessoas quase bacanas . Disciplinadas aprendem com os outros, ditos amigos. Mas na verdade o aprendizado desses é pura ilusão pois não são capazes de criar nada ,portanto, não aprendem nada. Mesquinhos e pequenos são estes seres humanos – pois são assim, humanos – que nada tem a dizer sobre coisa alguma porque mesmo falando sobre várias coisas em que são provavelmente especialistas não possuem originalidade , ousadia de criar relações , pensamentos , diferença. Consomem sem pensar tudo o que vêem no outro e  imaginam também que enganam a todos com  discurso ou pose que fazem. Lêdo engano. A todo o tempo tem gente percebendo a falácia de quem não tem iniciativa, cabeça e principalmente vergonha!!Quase bonita, quase planta – uma parasita que vive das outras plantas e até das outras parasitas . Consome tudo na tentativa de ser o que não é … nem clorofila tem …





TOP FIVE

27 12 2010

TOP FIVE – Compras de  Natal

Como comentei em um outro post falar de Natal é inevitavelmente falar de compras. Acho que até que tive boas experiências de espírito natalino este ano – revi amigos , recebi votos sinceros e afagos no coração que me deixaram animada. Mas isto posto e reconhecido …não dá para dizer que minha conversa com o Natal tenha sido encerrada por aí.

Assim sendo separei os presentes e as aquisições que achei de fato bacanas . Devo dizer que fui o mais comedida que pude. Meu impulso maior foi sucumbir a uma Melissa ( digo uma de verdade … bem uma para mim e outra de presente) e a um All Star que vai ter que ser trocado – foi presente para o marido.

Primeiríssimo – compra acertada para quem está evitando modismos. Apesar de estar na pele de muitas beldades o macacão de malha preta é sucesso garantido. Depois que Michael Kors relançou um modelito tomara que caia ( não está nas fotos) a galera mergulhou com vontade na peça. E não é à toa minha gente. É prático demais , versátil fica bem com tênis, salto alto, em produções super chiques ou bem descontraídas. Meu modelo é bem largo  e provavelmente para o gosto popular deve engordar um pouco mas está 100% aprovado.

E se a palavra é versatilidade, dos vestidos longos não preciso nem falar . Quem me conhece sabe que são a minha cara e que fazem parte do meu guarda-roupa independentemente de tendência . São curingas que casam bem com salto, bolero, rasteiras, um monte de bijus e ainda alguns se dão bem com tênis e sapatilhas das mais variadas e para quem gosta – dá pra usar até com as tais Havaianas!

No verão não dá para ficar sem uma flip flop decente. Digo isso porque não dá para sair de chinelo detonado , né ? porque flip flop ou mesmo rasteira ( ou no dininutivo ridículo rasteirinha ) é um nome disfarçado para o chinelo. E se o conforto é imprescindível nas altas temperaturas que pelo menos cada um escolha um calçado razoável ;porque ninguém merece ficar vendo um monte de chinelo velho nas ruas! Como eu adoro as Melissas minha escolha recaiu sobre o modelo de Vivienne Westwood para a marca. Há quem ame e quem odeie …como a maioria dos modelos da inglesa o coração que cobre o peito do pé quase que por completo é assimétrico , o que significa dizer para muitos : torto! Mas eu adoro corações e corações meio fora do prumo são minha especialidade!

Eu já falei acima que adoro corações então eles fazem parte dos meus acessórios há anos. Os laços também sempre me encantaram e como estamos em uma tendência rococó/romântica que traz este formato as vitrines – uma chuva de laços vive me colocando em tentação consumista. As bijus sempre me fazem sucumbir as compras pelo menos encontrei uma causa nobre  para isso : a Le Berbat. Marca independente da Raquel que além de linda e gentil é super habilidosa e cuida de todas as peças pessoalmente. Duas aquisições maravilhosas por preços muito justos!