O dia em que ser consumista e profissional da área de moda me transformou em idiota

2 11 2010

Mais um bom tempo se passou e eu de fato estou bastante controlada . Comprei alguma coisa mas acredito que foi uma peça só. Refletindo sobre as questões relativas ao consumo penso também como é interessante ser uma pessoa que é ligada por gosto e profissão ao mundo dos objetos. Explico: desde 1988 trabalho profissionalmente na área de moda. Já atuei como jornalista, pesquisadora, já fiz resenhas, monografia, dissertação ;já dei aulas, montei e coordenei cursos , formei ( orgulhosamente) alunos mil e alguns professores de excelente qualidade e pasmem para tudo isso que fiz possuo formação !! Sou professora de carteirinha , amo o que faço e acredito fazer bem feito!

Sou uma pessoa que vive da moda e de seus produtos e por isso mesmo também analiso criticamente o consumo ao qual sou sujeita. Amo sapatos e bolsas mas percebo que não sou escrava deles e que freiar minhas paixões também pode ser interessante para pensar. Afinal de contas será que somos seres pensantes ou apenas berrantes e copiantes de informações absurdamente equivocadas ????

Em tempos de eleições e de paixões destemperadas ouço dizer que a opinião e de “gente como eu” não conta. Ahhhhhhhhhh mas juro que conta sim : primeiro porque opinião é … aquela coisa que todo mundo tem então só nessa já me sinto incluída(rsrs) e em segundo lugar não aturo gente destemperada com vocação para grosseria ou para líder de meia-tigela. Cada um possui suas idéias e eu respeito todas mas aviso logo – trabalho com moda sim mas juro para qualquer um que como historiadora conheço os processos políticos e sociais do ocidente perfeitamente. Entendo as transformações sociais e principalmente a formação da forma Estado deste do início do Antigo Regime. Conheço o século XIX e as teorias que nele surgiram e os processos econômicos decorrentes da industrailização , da formação das cidades e das novas relações de produção. Admiro muitas teorias algumas me serviram como maneiras de entender as mudanças de pensamento , comportamento e principalmente me deram capacidade de perceber o que á analisar criticamente situações, momentos, trajetórias.

Fui suficientemente afortunada por ter utilizado o conhecimento adquirido para perceber que a história não tem linha reta , não possui motor a não ser o cruzamento das relações que nos fazem parte dela. E como parte da história lá estamos junto aos nossos objetos. Que tal deixar de palhaçada e pensar sobre os modelos ultrasônicos de celular que  quem possui acha que não tem nada em comum com os sapatos de Louboutin ou quem sabe não seja a hora de perceber que a necessidade por um novo game , ou por qualquer coisa em 3D não é parecida com uma bolsa estilo Birkin ? será que dá para essa gente tão esclarecida parar para perceber o que de fato se compra para além das supostas “utilidades”???? ou será que somente gente que “entende de moda” é que pensa sobre essas coias ???

Pensar o consumo é isso – é pensar a partir do que somos e a partir do mundo em que vivemos. Um mundo que felizmente ainda é sujeito as urnas , independentemente do resultado, que ainda tem direitos mesmo que as vezes os deveres sejam pouco cumpridos e que ainda se prefira descaso, que se confunda informalidade com falta de educação, e educação com elitização, e que elitização seja o nome dado a  mediação.

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