Liquidando o bom senso

12 02 2011

As pessoas e, francamente, acho que especialmente as mulheres são sujeitas a perder o bom senso quando enxergam a palavra LIQUIDAÇÃO ou similar em uma vitrine.Hoje passeando por Ipanema confesso que resisti ao máximo e consegui sair impune e imune ao desconcertante  discurso do preço reduzido, do está tão barato , do era isso e agora é só isso e o principal consegui voltar para casa sem nada daquilo que não precisava e mais :nem havia gostado tanto assim.

Hoje experimentei diversas sapatilhas – apesar de preços camaradas nada me mobilizou muito …e como eu mudei . Qualquer coisinha mais diferentinha eu já jogava pra dentro acumulando uma estante de Imelda sem ter ( no caso dela felizmente) cacife para isso. Fui a uma loja que nada tem em comum comigo – vi algumas poucas coisas que sobraram na minha numeração e quase levei uma sapatilha numa cor que não me é tão familiar e com um bico fino que nem sei se consigo usar.

Pensando” no levo ou não levo” me lembrei então que tenho uma sapatilha caretinha como aquela guardadinha – ainda nem usei. E além dela outra de gliter usada somente duas vezes  e mais … dentro em breve a coleção nova da Melissa entra nas lojas e essas sim eu não deixo de comprar e usar . Então me responda porque vou comprar algo de 60, 70, 80, 90 Reais se não é isso que gosto ou preciso muito ?se esse preço nem sempre é tão especial assim?

Ah … nessa onda de consciência e poupança acabei fazendo besteira também …deixei de comprar uma calça de jeans MARAVILHOSA por um preço bacana… snif

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Desconfiança Fashion

25 01 2011

Ao falar no post anterior sobre a “canseira fashion” ou seja aquele cansativo percurso no armário cheio de peças e vazio do que usamos , recebi um monte de comentários verbais e não escritos . (Engraçado como esse BLOG gera comentários entre os amigos mas pouca gente deixa seu registro por lá , talvez porque a conversa seja sempre mais demorada ..). Falei do assunto junto as minhas novas metas porque de fato andei ouvindo um monte de gente comentando sobre isso ao mesmo tempo . Todo mundo parece inclusive ter um depoimento a respeito. Consumir parece ser tão imperativo que muitas vezes compramos por comprar e quando nos damos conta ( literalmente a conta um dia chega) estamos lotados de coisas que nem sabemos como foram adquiridas. A não ser em casos de bolsos muito afortunados, na maioria das vezes essas compras resultam em gastos sentidos e jamais compensados pois, o uso das peças que as fariam valer fica anulado com a condição de entulho, tralha esquecida ou maldita no fundo do closet.

Em tempos de lançamento ouvi muita gente falando a respeito das tendências de inverno num tom obrigatório ( muita gente escreve sobre moda assim também). O que você tem que ter, deve usar sem titubear, tem que comprar com urgência, ou ainda o cúmulo: se não possuir um vai ficar de fora da estação…da sociedade. Se não consumir vira um pária, um estrangeiro sem direito a identidade.

Calma lá meus amigos a moda existe ( e eu vivo dela) mas nada mais falso do que a idéia de que ter estilo ou estar na moda ( se é que isso ainda existe , deus que me perdôe a heresia fashion) é seguir os lançamentos como um bobão que acredita em tudo o que lançam.

Meu conselho é : desconfie !Desconfie daquilo que dizem que todo mundo vai usar, desconfie do que fica bem em qualquer um e mais do que tudo desconfie e saia correndo daquilo que é impossível viver sem. Definitivamente não dá é para viver sendo alguém que você não é ! Assim se você já sabe que seu pescoço é curtinho e acha que fica um traste com pelos em volta dele – deixe de lado essa gente que quer que você se pareça com um urso canadense ou com um Chow Chow ( vai ele é lindo como cachorro e não como gente de gola!) E mais, quem é que vai investir num look seventies completo . Gente isso é coisa de passarela mas, contudo e todavia já tem um povo saindo com o figurino do Hair e… dizendo que é a última tendência. Ou seja, se você tá afim de ir para rua vestido de princesa da Disney eu super aprovo ( bem, em termos ..rs) se essa decisão é sua, mesmo radicalizando no exemplo, o que você veste está falando daquilo que você é ou minimamente do que tem vontade de ser naquele momento. Por isso continuo sendo partidária da Desconfiança Fashion. Não existe nada mais estiloso do que isso. Compre com atenção, com um pé atrás e os ombros erguidos, você sabe o que está fazendo. Ninguém sabe melhor o que está na moda do que você mesmo! Desse jeito você consome o que vai usar e não o que alguém disse que iria ser usado, evita um armário entupido, poupa dinehiro e de quebra fica parecido com você mesmo é não com o belo aí na foto!





Holiday Out

24 01 2011

Pois é as férias estão acabando e eu estou traçando novas metas. Vou ficar sozinha neste mundão de meu Deus cuidando do meu filhote. Apesar de ser a tal mulher moderna ( ou seria pós moderna, contemporânea ???- bem , vou deixar de lado  este debate de nomenclarura e conceito que os colegas historiadores adoram)tô morrendo de medo e chateação de ficar sem papai de filhote por perto. Mas by the way em tempos de solidão e de volta as aulas entramos também em recessionismo fashion severo!! A volta às aulas vale para mim e para meu pequeno. Apesar das despesas de material escolar não serem ainda gigantes no caso dele, esse é um momento em que tudo se ajeita e quem vive de dar aula sabe como é. Assim, vamos usar o jargão é combinar: o final de ano já foi um saldo super positivo de compras . Conforme relatei procurei me manter o mais sóbria possível. Fiz boas aquisições mas me aborreci por gastar um pouco com acessórios . Mas tudo será usado na tal volta ao trabalho e as aulas. Na minha vida de consultora de pequena e médias empresas cabe também dizer que o consumo repensado está na pauta do que organiza as novas propostas de gestão . Isto quer dizer que quando desenvolvemos produtos pensamos em maneiras de adequá-lo a um consumidor que por mais impulsivo que seja, relaciona-se com as compras de um jeito bem diferente do que no passado.

Vamos então as novas metas : o shopping está barrado até meu aniversário ! isto significa que até março estamos de portas fechadas para o consumo. As liquidações felizmente não me foram tentadoras porque não gosto de roupa de verão então só consumo por obrigação e ainda reclamo do gasto de montão. Foram alguns vestidos que serão usados a exaustão para enfrentar o calor de 40º e a sensação térmica de panela de pressão!!!E considerando que março não está nem tão longe assim é bom lembrar de não surtar quando o aniversário chegar junto das coleções de inverno que vão estar bombando nas prateleiras.

A causa é nobre: além de fazer o porquinho engordar para pagar as contas sem frio na barriga, temos viagens à vista( ou a prazo) e muitas cositas em planejamento. Então vale a pena investir na secura das sacolas!!!

Nada vem me causando mais espanto quanto a quantidade de coisas que são compradas e nunca usadas . Cada vez mais gente me relata esse fato. São coisas compradas para ocasiões que nunca aparecem, saltos altos desconfortáveis, aparelhos eletrônicos que não cabem no dia a dia do comprador e ainda saias curtas demais, botas longas ao extremo, peças de estação que nada tem em comum com o dono…ufa que canseira!!!!





O consumo do outro

18 01 2011

Não sei exatamente o que os 10 mandamentos falam sobre isso mas acredito piamente que não traz nenhum bem espiritual as pessoas consumirem umas as outras . Digo isso me explicando : acredito também piamente ( pois sou uma pessoa dessas bem brasileiras que acredita em tudo ou quase) que existe gente que não sabe fazer outra coisa senão consumir o que os outros fazem . Vivem essas gentes de copiar, de replicar , de fazer a mesma coisa que os que estão do lado fazem. Por vezes são pessoas quase bacanas . Disciplinadas aprendem com os outros, ditos amigos. Mas na verdade o aprendizado desses é pura ilusão pois não são capazes de criar nada ,portanto, não aprendem nada. Mesquinhos e pequenos são estes seres humanos – pois são assim, humanos – que nada tem a dizer sobre coisa alguma porque mesmo falando sobre várias coisas em que são provavelmente especialistas não possuem originalidade , ousadia de criar relações , pensamentos , diferença. Consomem sem pensar tudo o que vêem no outro e  imaginam também que enganam a todos com  discurso ou pose que fazem. Lêdo engano. A todo o tempo tem gente percebendo a falácia de quem não tem iniciativa, cabeça e principalmente vergonha!!Quase bonita, quase planta – uma parasita que vive das outras plantas e até das outras parasitas . Consome tudo na tentativa de ser o que não é … nem clorofila tem …





Por um final de ano tranquilo – e com festa

7 12 2010

Fui a um almoço de final de ano que considero um inacreditável exemplo de civilidade : os convidados chegavam , se serviam no buffet sentavam aonde bem entendiam, cumprimentavam quem queriam. Os naturais grupinhos se formavam e ao mesmo passo se desfaziam. Pessoas chegavam e outras, já com o almoço terminado e a festa dada por encerrada , partiam. Não aconteceu nenhum amigo oculto, ou pior do que isso inimigo oculto . Ninguém reclamou porque comprou um presente caro para alguém pouco conhecido ou comprou artigos inúteis de 1,99 para serem jogados num canto da casa de alguém ou passados adiante ou ninguém felizmente teve que escolher um presente até R$10,00 e participar de uma constrangedora sessão de descrições ou ouvir piadas sem graça. Ninguém pagou prenda, saiu pintado na rua ou cantou num karaoquê. No final do almoço dançou quem queria dançar e bebeu cerveja e vinho quem quis e coca zero quem preferiu. Ninguém insistiu para que alguém fizesse qualquer coisa pois cada um sabia exatamente o que queria fazer. 10 nota 10

Quando falo aqui no blog do consumo insisto também que o ato de consumir não está somente ligado as coisas que compramos no formato de coisas mas ao consumo cultural ( ou supostamente cultural – nem vem que não me convenço que música de shows de verão com milhões dançando a dança de um bicho qualquer ou gritando um refrão idota balançado as mãos é cultura) e ainda ao consumo de si mesmo como uma necessidade contínua de representa-se na sociedade demarcado seu território e identidade através do movimento incessante. Refiro-me a obrigação de sair de casa , de ir a tudo quanto é porcaria que a cidade oferece e de buscar que nem louco descontos em compras coletivas para coisas que nem de graça mereceriam atenção. Adoro sair de casa, gosto de festa e de comemoração mas não gosto do consumo de mim mesma. Sou consumista de coisas e de cultura mas não preciso consumir o tempo todo para ficar feliz, não preciso me consumir o tempo todo para ficar feliz. Não preciso ir a tudo que aparece, não preciso jogar e nem cantar e nem de um tapete de dança e nem de advinhar e nem de dados e nem de nada. Consigo parar. E melhor – como os vestidos que outros tem e eu consigo vê-los sem querê-los – consigo plenamente ver gente jogando, rimando e se movimentando sem sentir a menor vontade de participar. Não preciso de coisas por que todos tem , porque todos fazem , por que a maioria usa ou gosta ou faz.

Danço por dançar – não quero aprender a dançar. Comemoro por comemorar – não quero aprender a comemorar.

O que eu não faço é porque escolhi não fazer. E não há santo ou mala sem alça que me faça mudar de idéia.

Assim comemoro o final de ano sem estresse – sem ter que beber todas mas bebendo muitas , sem ter que pular mas me divertindo a beça, sem jogar e nem cantar mas apostando todas as fichas numa música contínua que é a vida !





Por um final de ano tranquilo – com pizza

2 12 2010

Ok pessoas sou uma consumista mais ponderada mas, gosto de comprar umas coisinhas de vez em quando então, esqueçam de mim quando quiserem vir com aquela conversa de que se eu não tomar cerveja e nem andar de táxi vou poder comprar uma outra casa!

Recebi um e mail de alguém que não sei ao certo quem é mas, fato:é uma pessoa bacana. O texto falava de um jovem que ensinava no estilão americano como juntar dólares em tempo “quase recorde” … vá passear o cara diz que uma vida de 50 anos é recorde …. Nada de comer pizza ! a pizza era um dos pontos principais para a base de contas que explicavam que menos pizza mais investimentos para o futuro . Olha meus camaradas – nem morta , aliás se eu topar uma coisa dessas é porque já morri- que eu vou deixar de viver minha vida e de comer pizza em favor de uma segurança futura . Meu futuro será sempre lindo , acredito , mas dele faz parte o hoje. Ser comedido tá legal mas ser infeliz ou me fazer infeliz …não, não e não!

Acho que todos procuramos alternativas para uma vida melhor mas cada um vai na sua onda particular – como diz meu colega Polhemus – style surfing – cada um surfando em várias ondas e compondo um mapa seu do que é a sua identidade nesses dias atuais em que podemos – pasmem- mudar de idéias também!!!! E olha só que delícia : você é uma perua neste dia e amanhã é básica. Ontem futurista e agora hippie ( deus me livre disso aliás!).

A opção verdadeira é abrir mão de ser escravo de qualquer coisa … e o fato de você estar ligado a coisas não significa que esta ligação seja sempre pelas mesmas coisas e que se estabeleça da mesma maneira. Você pode inclusive comer pizza fora de casa e …. passar muitos dias cozinhando e provando seus próprios quitutes numa boa!





O dia em que ser consumista e profissional da área de moda me transformou em idiota

2 11 2010

Mais um bom tempo se passou e eu de fato estou bastante controlada . Comprei alguma coisa mas acredito que foi uma peça só. Refletindo sobre as questões relativas ao consumo penso também como é interessante ser uma pessoa que é ligada por gosto e profissão ao mundo dos objetos. Explico: desde 1988 trabalho profissionalmente na área de moda. Já atuei como jornalista, pesquisadora, já fiz resenhas, monografia, dissertação ;já dei aulas, montei e coordenei cursos , formei ( orgulhosamente) alunos mil e alguns professores de excelente qualidade e pasmem para tudo isso que fiz possuo formação !! Sou professora de carteirinha , amo o que faço e acredito fazer bem feito!

Sou uma pessoa que vive da moda e de seus produtos e por isso mesmo também analiso criticamente o consumo ao qual sou sujeita. Amo sapatos e bolsas mas percebo que não sou escrava deles e que freiar minhas paixões também pode ser interessante para pensar. Afinal de contas será que somos seres pensantes ou apenas berrantes e copiantes de informações absurdamente equivocadas ????

Em tempos de eleições e de paixões destemperadas ouço dizer que a opinião e de “gente como eu” não conta. Ahhhhhhhhhh mas juro que conta sim : primeiro porque opinião é … aquela coisa que todo mundo tem então só nessa já me sinto incluída(rsrs) e em segundo lugar não aturo gente destemperada com vocação para grosseria ou para líder de meia-tigela. Cada um possui suas idéias e eu respeito todas mas aviso logo – trabalho com moda sim mas juro para qualquer um que como historiadora conheço os processos políticos e sociais do ocidente perfeitamente. Entendo as transformações sociais e principalmente a formação da forma Estado deste do início do Antigo Regime. Conheço o século XIX e as teorias que nele surgiram e os processos econômicos decorrentes da industrailização , da formação das cidades e das novas relações de produção. Admiro muitas teorias algumas me serviram como maneiras de entender as mudanças de pensamento , comportamento e principalmente me deram capacidade de perceber o que á analisar criticamente situações, momentos, trajetórias.

Fui suficientemente afortunada por ter utilizado o conhecimento adquirido para perceber que a história não tem linha reta , não possui motor a não ser o cruzamento das relações que nos fazem parte dela. E como parte da história lá estamos junto aos nossos objetos. Que tal deixar de palhaçada e pensar sobre os modelos ultrasônicos de celular que  quem possui acha que não tem nada em comum com os sapatos de Louboutin ou quem sabe não seja a hora de perceber que a necessidade por um novo game , ou por qualquer coisa em 3D não é parecida com uma bolsa estilo Birkin ? será que dá para essa gente tão esclarecida parar para perceber o que de fato se compra para além das supostas “utilidades”???? ou será que somente gente que “entende de moda” é que pensa sobre essas coias ???

Pensar o consumo é isso – é pensar a partir do que somos e a partir do mundo em que vivemos. Um mundo que felizmente ainda é sujeito as urnas , independentemente do resultado, que ainda tem direitos mesmo que as vezes os deveres sejam pouco cumpridos e que ainda se prefira descaso, que se confunda informalidade com falta de educação, e educação com elitização, e que elitização seja o nome dado a  mediação.