Por um final de ano tranquilo – e com festa

7 12 2010

Fui a um almoço de final de ano que considero um inacreditável exemplo de civilidade : os convidados chegavam , se serviam no buffet sentavam aonde bem entendiam, cumprimentavam quem queriam. Os naturais grupinhos se formavam e ao mesmo passo se desfaziam. Pessoas chegavam e outras, já com o almoço terminado e a festa dada por encerrada , partiam. Não aconteceu nenhum amigo oculto, ou pior do que isso inimigo oculto . Ninguém reclamou porque comprou um presente caro para alguém pouco conhecido ou comprou artigos inúteis de 1,99 para serem jogados num canto da casa de alguém ou passados adiante ou ninguém felizmente teve que escolher um presente até R$10,00 e participar de uma constrangedora sessão de descrições ou ouvir piadas sem graça. Ninguém pagou prenda, saiu pintado na rua ou cantou num karaoquê. No final do almoço dançou quem queria dançar e bebeu cerveja e vinho quem quis e coca zero quem preferiu. Ninguém insistiu para que alguém fizesse qualquer coisa pois cada um sabia exatamente o que queria fazer. 10 nota 10

Quando falo aqui no blog do consumo insisto também que o ato de consumir não está somente ligado as coisas que compramos no formato de coisas mas ao consumo cultural ( ou supostamente cultural – nem vem que não me convenço que música de shows de verão com milhões dançando a dança de um bicho qualquer ou gritando um refrão idota balançado as mãos é cultura) e ainda ao consumo de si mesmo como uma necessidade contínua de representa-se na sociedade demarcado seu território e identidade através do movimento incessante. Refiro-me a obrigação de sair de casa , de ir a tudo quanto é porcaria que a cidade oferece e de buscar que nem louco descontos em compras coletivas para coisas que nem de graça mereceriam atenção. Adoro sair de casa, gosto de festa e de comemoração mas não gosto do consumo de mim mesma. Sou consumista de coisas e de cultura mas não preciso consumir o tempo todo para ficar feliz, não preciso me consumir o tempo todo para ficar feliz. Não preciso ir a tudo que aparece, não preciso jogar e nem cantar e nem de um tapete de dança e nem de advinhar e nem de dados e nem de nada. Consigo parar. E melhor – como os vestidos que outros tem e eu consigo vê-los sem querê-los – consigo plenamente ver gente jogando, rimando e se movimentando sem sentir a menor vontade de participar. Não preciso de coisas por que todos tem , porque todos fazem , por que a maioria usa ou gosta ou faz.

Danço por dançar – não quero aprender a dançar. Comemoro por comemorar – não quero aprender a comemorar.

O que eu não faço é porque escolhi não fazer. E não há santo ou mala sem alça que me faça mudar de idéia.

Assim comemoro o final de ano sem estresse – sem ter que beber todas mas bebendo muitas , sem ter que pular mas me divertindo a beça, sem jogar e nem cantar mas apostando todas as fichas numa música contínua que é a vida !

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Por um final de ano tranquilo – com pizza

2 12 2010

Ok pessoas sou uma consumista mais ponderada mas, gosto de comprar umas coisinhas de vez em quando então, esqueçam de mim quando quiserem vir com aquela conversa de que se eu não tomar cerveja e nem andar de táxi vou poder comprar uma outra casa!

Recebi um e mail de alguém que não sei ao certo quem é mas, fato:é uma pessoa bacana. O texto falava de um jovem que ensinava no estilão americano como juntar dólares em tempo “quase recorde” … vá passear o cara diz que uma vida de 50 anos é recorde …. Nada de comer pizza ! a pizza era um dos pontos principais para a base de contas que explicavam que menos pizza mais investimentos para o futuro . Olha meus camaradas – nem morta , aliás se eu topar uma coisa dessas é porque já morri- que eu vou deixar de viver minha vida e de comer pizza em favor de uma segurança futura . Meu futuro será sempre lindo , acredito , mas dele faz parte o hoje. Ser comedido tá legal mas ser infeliz ou me fazer infeliz …não, não e não!

Acho que todos procuramos alternativas para uma vida melhor mas cada um vai na sua onda particular – como diz meu colega Polhemus – style surfing – cada um surfando em várias ondas e compondo um mapa seu do que é a sua identidade nesses dias atuais em que podemos – pasmem- mudar de idéias também!!!! E olha só que delícia : você é uma perua neste dia e amanhã é básica. Ontem futurista e agora hippie ( deus me livre disso aliás!).

A opção verdadeira é abrir mão de ser escravo de qualquer coisa … e o fato de você estar ligado a coisas não significa que esta ligação seja sempre pelas mesmas coisas e que se estabeleça da mesma maneira. Você pode inclusive comer pizza fora de casa e …. passar muitos dias cozinhando e provando seus próprios quitutes numa boa!





Consumo em época de consumir : é Natal

30 11 2010

Apesar de continuar me classificando como uma consumista devo dizer que me tornei ou, venho pelo menos me observando, bem mais racional no âmbito das compras. Tudo que venho adquirindo tem sido realmente utilizado e parece mesmo muito dentro da realidade do meu dia a dia. Sairam das minhas compras aquelas coisas que eu não ia usar nunca ou que serviam apenas para enfeitar meus delírios de uma festíssima, eventíssimo. Em todos esses casos garanto que ainda tenho estoque de sobra caso venham a ocorrer qualquer um desses imperdíveis acontecimentos e , como sempre, independente do que eu possua vou sempre achar que não tenho nada para vestir na ocasião . Sendo assim , desisti de comprar por antecipação: nada de vestidos para a festa que ainda não existe, ou para o jantar  que não vi nem o convite. E surpresa : meu final de ano é regado a cerveja no bar e não a campanhe em alto mar …ou seja melhor mesmo embarcar no figurino de verão ( mesmo sem muito amor a ele já que é sabido que não gosto da estação e me visto nela por mera obrigação ou por ceder ao sol inevitável) do que viajar em saltos e brilhos que provavelmente vão se juntar aos que eu já tenho no armário.

Tendo isto posto vamos falar do NATAL. Estamos no fatídico final de ano. Entra aquela história de férias (no meu caso é fim de período acadêmico ,logo são minhas férias)e junto disso é Natal. É aquela hora de gastar com presentes e vem aquela vontade óbvia de se presentear também. No meu caso essa vontade é completamente óbvia mesmo! Aí para não chafurdar na confusão de desejos anteriormente contidos  , necessidades e presentes para os parentes resolvi seguir o conselho de minhas amigas experientes e listar o que é necessário. Só um aparte, a verdade é que desde que comecei a usar o Moleskine minha vida mudou. Tudo bem que me transformei num amontoado de listinhas mas funciona melhor que agenda de papel e do que qualquer coisa eletrônica ao qual não me adaptei.

Aí comecei minha listagem de compras de final de ano e descobri logo que se eu quero colocar meu filho numa colônia de férias esse consumo já vai sair de casa com freio.Pois é…. coisas nas férias tem ônus e se você quer aproveitar seu tempo livre e o verão também é uma boa idéia comprar menos e ter mais para gastar ao longo dos meses em que o sol vai amolecer a sua cabeça de tal maneira que você não vai ter como pensar no que é mais ou menos sensato!

De todo jeito fiz uma lista amiga do que eu realmente preciso comprar : aqueles presentes para a família , filhote e maridão. Umas poucas coisas para os amigos e aí meus sonhos de consumista de final de ano. SURPRESA: sonhos de consumo mais ligados na vida real … não que esta vida seja sem glamour. Preciso de vestidos se um deles for de poás , melhor! Vou investir numa sandália rasteira nova com certeza mas ela virá com brilho e de preferência com alguma pedraria( esse tipo de calçado é fundamental para mim no calor . Eu detesto sandálias abertas demais mas meus pés não aguentam as altas temperaturas… se é assim … que seja com algum luxo extra! que venham os brilhos e que todos reluzam nas areias escaldantes!!!!). Nas bijus preciso de controle total…andei conhecendo uma marca que me deixou alucinada mas não pretendo consumir nada do gênero até porque já comprei aquilo que amei !!!! 

Vamos então acompanhando esses rumos pré natalinos para ver como vou me sair nessa empreitada tão ligada a posse dos bens materiais e tão desconectada de outros valores…mais isso é conversa para o próximo post.





O dia em que ser consumista e profissional da área de moda me transformou em idiota

2 11 2010

Mais um bom tempo se passou e eu de fato estou bastante controlada . Comprei alguma coisa mas acredito que foi uma peça só. Refletindo sobre as questões relativas ao consumo penso também como é interessante ser uma pessoa que é ligada por gosto e profissão ao mundo dos objetos. Explico: desde 1988 trabalho profissionalmente na área de moda. Já atuei como jornalista, pesquisadora, já fiz resenhas, monografia, dissertação ;já dei aulas, montei e coordenei cursos , formei ( orgulhosamente) alunos mil e alguns professores de excelente qualidade e pasmem para tudo isso que fiz possuo formação !! Sou professora de carteirinha , amo o que faço e acredito fazer bem feito!

Sou uma pessoa que vive da moda e de seus produtos e por isso mesmo também analiso criticamente o consumo ao qual sou sujeita. Amo sapatos e bolsas mas percebo que não sou escrava deles e que freiar minhas paixões também pode ser interessante para pensar. Afinal de contas será que somos seres pensantes ou apenas berrantes e copiantes de informações absurdamente equivocadas ????

Em tempos de eleições e de paixões destemperadas ouço dizer que a opinião e de “gente como eu” não conta. Ahhhhhhhhhh mas juro que conta sim : primeiro porque opinião é … aquela coisa que todo mundo tem então só nessa já me sinto incluída(rsrs) e em segundo lugar não aturo gente destemperada com vocação para grosseria ou para líder de meia-tigela. Cada um possui suas idéias e eu respeito todas mas aviso logo – trabalho com moda sim mas juro para qualquer um que como historiadora conheço os processos políticos e sociais do ocidente perfeitamente. Entendo as transformações sociais e principalmente a formação da forma Estado deste do início do Antigo Regime. Conheço o século XIX e as teorias que nele surgiram e os processos econômicos decorrentes da industrailização , da formação das cidades e das novas relações de produção. Admiro muitas teorias algumas me serviram como maneiras de entender as mudanças de pensamento , comportamento e principalmente me deram capacidade de perceber o que á analisar criticamente situações, momentos, trajetórias.

Fui suficientemente afortunada por ter utilizado o conhecimento adquirido para perceber que a história não tem linha reta , não possui motor a não ser o cruzamento das relações que nos fazem parte dela. E como parte da história lá estamos junto aos nossos objetos. Que tal deixar de palhaçada e pensar sobre os modelos ultrasônicos de celular que  quem possui acha que não tem nada em comum com os sapatos de Louboutin ou quem sabe não seja a hora de perceber que a necessidade por um novo game , ou por qualquer coisa em 3D não é parecida com uma bolsa estilo Birkin ? será que dá para essa gente tão esclarecida parar para perceber o que de fato se compra para além das supostas “utilidades”???? ou será que somente gente que “entende de moda” é que pensa sobre essas coias ???

Pensar o consumo é isso – é pensar a partir do que somos e a partir do mundo em que vivemos. Um mundo que felizmente ainda é sujeito as urnas , independentemente do resultado, que ainda tem direitos mesmo que as vezes os deveres sejam pouco cumpridos e que ainda se prefira descaso, que se confunda informalidade com falta de educação, e educação com elitização, e que elitização seja o nome dado a  mediação.





Insensatez

4 10 2010

Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade … canta a letra do grande poeta VINICIUS DE MORAES.

A despeito das coisas do coração que era do que meu mestre VINÍCIUS entendia como ninguém falo do que infelizmente ( fazer o que …sinal dos tempos ) também nos mobiliza o coração. Nossa relação com os objetos que de tão pessoal pode ser dita sensata ou não. Pois acho que estou numa fase em que a insensatez está passando longe. Não ando colhendo a tempestade dos excessos, das compras que não são utilizadas e das peças que ficam encostadas no armário sem nunca sairem de casa para nem uma voltinha.  Mesmo sem cumpir a meta dos 60 dias estou há alguns outros sem consumir e as compras que fiz – em bazares e similares – estão se mostrando úteis. Ao contrário do que acontecia quando eu entrava nas lojas e comprava no mínimo 2 pares de sapatos ( no mínimo mesmo porque na maioria das vezes eram 3, 4 até 5) hoje em dia é uma peça só que sai na sacola ( sempre tirando MELISSAS do caso) ou, como ando mais comedida, se por ventura for comprar mais coisas em um mesmo lugar é sinal claro que não vão rolar outras compras espalhadas por aí.

E assim .. sei lá ..  quem sabe a sensatez com relação as coisas ( objetos) não nos deixe mais ligados em outras emoções ??? ….salve Vinícius de Moraes e seu vício sensato ou não pelas coisas ( não objetos) do coração!!!





1 Mês

23 09 2010

Os primeiros 30 dias passaram e minha meta não foi cumprida. Foram as compras já compradas ( por que estavam encomendadas) foi o dia da roupa errada que precisava ser trocada. Foi a encomenda que não veio e foi substituida por outra . Mas peguei mais leve .

Palavra de consumista.





Felicidade

21 09 2010

Hoje cedo assiti a uma matéria no Bom Dia Brasil. O assunto era uma pesquisa americana que queria saber o preço da felicidade . Nos EUA se descobriu que a felicidade custa algo como 11.000,00 ( no nosso Real ) mensais. Esse é o valor que não causa divórcio e nem depressão. Que permite compras e e contas pagas e sobra no final do mês. Pelo que li no restante da pesquisa( porque pesquisei depois do programa háháhá )sem este valor fica muito complicado ser feliz nos nossos dias já que devemos atender a diversas solicitações do mundo contemporâneo como :diversão, lazer e cuidados com a aparência e … avanços tecnológicos?!para que possamos nos sentir bem.Ou seja no modelo americano não dá para ser feliz sem modelos atualizados de aparelhos, objetos e mesmo sem atualizar a prória face e corpo. Na contra nada especificamente mas a necessidade incansável ( ou muito cansativa) do novo é inacreditável e vai das aparelhagens resvestidas de tamanhos gigantes ou minúsculos, de multifunções nunca utilizadas provavelmente ao prório corpo.

Na Terra Brasillis os entrevistados na rua pareciam crer em cifras bem mais modestas e alguns ficariam felizes com tv´s gigantes, carros novos , casas grandes mas uma coisa só já bastava. Incrível a pauta da matéria e a pesquisa relacionavam o que na verdade já juntamos na vida real . Inseparáveis são o dinheiro e a felicidade . Através do dinheiro nos colocamos num patamar de sociabilização e através dos cifrões nos mantemos no mundo fazendo parte de grupos. O dinheiro compra conforto dizia a reportagem mas o confortável na verdade é uma imagem de sucesso que se faz através da aquisão de bens.E quando temos objetos nos diferenciamos do básico e quanto mais novos são estes objetos mas estilosos ficamos e mais segregada é nossa sociedade que cumpre com esse modelo. Que confusão danada. O dinheiro faz bem a saúde , ao sexo , e a beleza. Mas é como produto que ele satisfaz . É através da satisfação oferecida pelas compras que o dim dim se faz como sentimento.

E que ninguém ache que eu acho bom viver sem dinheiro. Sou capitalista, consumista e td o mais mas… e o freio? quando é que vamos conseguir pensar sem conformismo ? quando é que alguém vai dizer que dinheiro é ótimo mas que ninguém precisa de um life style de empilhamento doentio de produtos ? quando vamos gerar modelos próprios de felicidade ou mais interessante ainda quando vamos deixar de lado a obrigação em sermos felizinhos???!!!!